Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2014

Mundo: além de redondo, pequeno

O mundo é pequeno e redondo, dá voltas e promove encontros inusitados. Sempre. Todos temos alguma história dessas para contar. Hoje contarei a minha. Há uns 7 anos atrás eu sofri um acidente, atropelei um carro parado. Acidente do qual lembro sempre pois a única cicatriz que tenho em minhas pernas é no joelho esquerdo, e foi feita nesse dia. Estava andando de bicicleta e me distraí mexendo na alça da bolsa, quando me dei conta havia aparecido um carro na minha frente. Não deu tempo de nada, bati, quebrei o farol, cortei o joelho e risquei o capô. A situação foi ainda mais enfadonha porque o dono do carro estava saindo de casa e me viu destruindo seu veículo. Ele me disse que tinha uma festa de aniversário, e talvez tenha deixado de ir, a julgar pelo imprevisto. Foi muito gentil e me levou para dentro da sua casa, onde sua mãe, uma senhorinha simpática, me acalmou e fez curativo até minha mãe chegar - brava feito uma onça. Agimos com honestidade, meu pai foi mais tarde encontrá-lo ...

Questão de segurança pública

Pela primeira vez meu irmão saiu da cidade para jogar com seu time de basquete. O placar ficou 36x4 para os donos da casa, mas isso não pareceu abalar muito o Arthur. Por volta de meio dia cheguei no colégio para buscá-lo e tivemos uma breve conversa: - Oi Arthur! Como foi no jogo? - Nossa, posso respirar aliviado, agora estou seguro. - Que? - Nenhum terrorista de São Paulo botou fogo no ônibus. Ah, a gente perdeu de 36x4. - Credo, mas você acha que terrorista vai colocar fogo em ônibus de criança? - Mas lá dentro tinha adulto e pré-adolescente também, os professores e os meus amigos do 7º ano. Você não entende nada, isso é questão de segurança pública! - bradou com o dedo em riste.

4 Ivetes e 1 José

A escrita é fantástica pois, dentre outras coisas, me permite uma solidariedade interessante. Empresto minhas palavras às personagens desenrolarem seus causos e dramas. Então que eu, socióloga de boteco, psicóloga de bêbado e benzedeira de tormenta, tenho hoje uma verdadeira saga para narrar. A saga de José Alberto, que me foi contada por uma de suas personagens, minha colega de classe. Causo tragicômico e interessante, filosófico realmente, dos dramas amorosos da vida real. Não como as minhas babosices de costume. Não, meus caros, aqui o furo é mais embaixo. Eis-me aqui, portanto, escrivã das peculiaridades da existência, repassando essa conversa. Que começou da seguinte maneira: havia neste mundão velho sem porteira um homem chamado José Alberto - nome modificado para proteger os envolvidos. José Alberto foi muito abençoado por Deus com saúde e sensualidade, com o dom da conquista e a beleza de Adônis. Com voz de veludo e sua calça cáqui, arrancava suspiros incautos das inocentes m...

A crise da meia-idade

Meus pais tiveram apenas dois filhos. Eu, em 1994 e Arthur, em 2005. Temos exatamente 10 anos e 3 meses de diferença. Ele é o neto caçula, tanto do lado paterno quanto materno. E é, também, o temporão que nasceu quando nossos pais estavam perto dos 40. Como sou consideravelmente mais velha, pude acompanhar, e ainda acompanho, seu desenvolvimento bem de perto com certa reflexão e influência, quase como um estudo de caso, que me faz entender um pouco mais do mundo e da vida. Crescer tem disso e quem tem a oportunidade de observar de perto também. Um dia alguém me disse que a primeira inspiração do bebê ao nascer era sofrida, pois trata-se de um ar abrindo caminhos antes ocupados por outras coisas. Na vida das crianças cada dia é uma inspirada dessas. Na nossa, daqueles que já descobriram que Papai Noel não existe, a incidência dessas descobertas viscerais é reduzida. A gente já anda mais calejado, já não concede o mesmo brilho ao mundo. Frida Kahlo que diz, em uma carta, sentir por sa...

Minha casa, minha vida

Na semana em que fiquei trancada do lado de dentro do apartamento do meu namorado, em que fiquei trancada para fora da minha casa, e da dele, e que minha cozinha alagou, na qual eu caí e me machuquei enquanto limpava - fato que me fez sentar torto a semana toda -, ouvi de uma colega: - Sua casa é zoada, né Amanda? Sim, é bem verdade. Hoje, para completar meu calvário de universitária, mulher guerreira que mora sozinha e dorme com a peixeira embaixo do travesseiro, meu vaso entupiu. Como num passe de mágica. Ele estava ótimo e, de repente, entupiu. Juro, nem cocô dentro tinha. Pois bem, fiz meu excelentíssimo buscar soda cáustica e me pus a preparar a mandinga. Com direito a luvas de borracha, balde e cabo do rodo para misturar, coloquei 1 quilo de soda em 5 litros de água. Nunca lembrei tanto daquela música da Elis Regina que diz "é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre (...) é preciso ter fé na vida". Joguei tudo no vaso, joguei em cima água...

Faxinolândia

Caros mancebos jurubebas - ou nem tanto -, resolvi transferir do Facebook pra cá meus escritos, conforme outrora. Aqueles velhos relatos e anedotas que por lá jaziam, aqui poderão ser encontrados com menos pressa e mais capricho. O título provém do meu profundo carinho e curiosidade pela palavra "faxinal". Perto da minha cidade, Toledo, há uma outra denominada "Faxinal do céu", na verdade não é perto, mas digamos que seja, a título de descrição, uma vez que estão, ambas, no mesmo ente federativo. Não sei vocês, mas aos meus ouvidos soa quase pornográfica. E é tamanha eroticidade em uma mesma palavra que, somando-se a palavra "céu", é quase uma blasfêmia herética o nome dessa cidade. Minha mãe foi muitas vezes para Faxinal, coisa de cursos e tudo mais. Mas nem isso, e as explicações dela - vide dicionário: campo coberto de mato curto -, sossegavam a efervescência  das minhas ideias.  Depois eu comecei a associar com a vida campeira do gaúcho, dos bagua...