O amor tem ceratocone
Nos tempos da faculdade coisas bacanas aconteceram. Outras nem tanto, é fato. Contudo, dediquei-me à exegese do ser e dos sentimentos, em grande parte, através de um simples móvel que havia dentro de minha sala de aula. E por julgar este fato singular e, de modo unânime, inesquecível, desenvolverei a respeito dele. Não estranhe, ao móvel não coube função sexual insercitiva em orifícios mal iluminados. Ora, eu queria era que a madeira falasse comigo, entrasse pelas vias mentais, em vez das efêmeras profanações carnais. Isso posto, prossigamos com meu relato esclarecedor e catártico. Não ao modo dos poetas mortos e velharias de igreja, mas ao meu modo. Ao modo de um apaixonado que encontrou o motivo de sua existência em seu próprio assento, por assim dizer. Eu sempre fui pálido, magricela, tímido e inteligente. A saber, a inteligência nada mais foi que rota de fuga para desviar de minha aparência as atenções. Os bonitos são mais ouvidos. Mas eu não queria ser ouvido, apenas respeita...