A universalização da teoria do cu
Dentre todos os vocábulos e verbetes da língua portuguesa, "cu" é um de meus favoritos. Primeiramente por ser conspícua sua capacidade de conduzir o ser humano ao erro e, não obstante, de compilar inúmeras ofensas às regras gramaticais em apenas uma sílaba. Cristaliza com competência o hábito de acentuar palavras terminadas em "u" - tais como cupuaçu, e, pasmem, até com nome de cidade, como Foz do Iguaçu, seus munícipes conseguem cometer equívocos, e não só eles.
Conquanto, o tópico frasal é o lado mais usual da palavra. Trata-se dessa convenção que determina um cu mundial, corroborado pela incessante necessidade de culpar e fazer com que alguém sofra. É no mínimo intrigante o modo como atribuímos tantos sentidos a essa pequena sílaba - que literalmente designa um pequeno lugar. O cu é paradoxal por excelência ao contrapor seu tamanho - real, fonético, e assim por diante - e seu tamanho simbólico.
Essa versatilidade toda é interessantíssima, uma vez que perpassa aspectos socioculturais, semióticos e semânticos. Determina um lugar mítico onde tudo pode acontecer. Desde aquela coisa maravilhosa, para a qual você dirá, embasbacado, "tomar no cu", até aquele momento de fúria, em que o "tomar no cu" representa o ápice do descarrego, do escapismo. Talvez ainda relacione o sentido de cu às posições sexuais, ao preconceito, às fezes que por lá saem e aos objetos, membros e órgãos que por lá entram.
E não só isso, mas também seus acompanhamentos e agravantes, tais como: "enfia no meio", "tomar no meio", "tomar no meio do olho", indicação de inserção se objetos no referido local, seu diminutivo e seu aumentativo, dentre outros. O fato é que o cu já deixou de ser apenas uma parte de nós ou do imaginário popular. É uma entidade metafísica de poderes calmantes, excitantes, relaxantes e, não raro, insultantes.
Escrito em 13/08/12, concluído às 21 horas e 54 minutos.
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